O Governo celebrou, no passado dia 10 de Setembro, um compromisso com cinco instituições públicas para definir uma estratégia de reabilitação do troço entre Pocinho e Barca d’Alva e a exploração turística entre a Régua e a fronteira.
“Este é um projecto que só agora tem a maturidade suficiente para avançar, neste grande pacote de infra-estruturas para o Douro”, disse a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, na cerimónia junto à estação férrea do Pocinho em Vila Nova de Foz Côa.
A exploração turística do referido troço, será desenvolvida numa primeira fase entre a Régua e o Pocinho, e posteriormente do Pocinho até Barca d'Alva, em função da conclusão das obras deste ultimo troço, pode ler-se no protocolo assinado, que prevê obras de reabilitação orçadas em 25 milhões de euros.
O acordo assinado faz parte de um projecto global de investimentos para a mobilidade no Douro, com cerca de 400 milhões de euros de investimentos, com a reabilitação de toda a linha férrea, fluvial e a construção do futuro terminal de cruzeiros de Leixões.
A secretária de Estado dos Transportes assumiu ainda ajudar a transformar “os barracões abandonados”, nas estações, prometendo contribuir para “criar focos de oportunidades”.
“Não temos procura de passageiros suficientes para usar as estações unicamente para vender bilhetes”, acrescentou Ana Paula Vitorino.
Ana Paula Vitorino assumiu igualmente o compromisso de na próxima Cimeira Ibérica e em futuras reuniões com a Junta de Castela e Leão ser “embaixadora da nossa vontade”, para a continuidade do troço até Salamanca.
Ricardo Magalhães, chefe da estrutura de Missão do Douro, reconheceu a intenção agora assumida pelo Governo como uma “excepção”, depois de décadas de “gestos e mais gestos simbólicos”, e que este agora “finalmente já não têm retorno”, acredita.
Reagindo à Lusa sobre a validade desta assinatura na próxima legislatura, a secretária de Estado dos Transportes, reconheceu que o projecto é já “incontornável”, porque “as instituições assumiram responsabilidades que já não podem ser paradas por qualquer Governo”.
De acordo com o protocolo assinado, os subscritores (Estrutura de Missão do Douro, REFER, CP, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e o Instituto Portuário de Transportes Marítimos), ficam responsáveis pelos financiamentos públicos, preparação dos projectos, lançamento e acompanhamento da obra, concurso público internacional para subconcessão da exploração turística ou a promoção e viabilização das ligações de atravessamento fluvial entre margens.
Daniel Gil-Lusa
