Freguesia de Freixo de Numão

   
Elementos Demográficos  
População 586
Área 2742 Ha
   
Junta de Freguesia

Website da Junta de Freguesia

   
Orago S. Pedro
Festas e romarias  
S. Pedro 29 de Junho
Nª Srª da Carvalha 1º fim de semana de Setembro
   
Colectividades
ACDR de Freixo de Numão, Clube de Caça e Pesca, Banda Musical de Freixo de Numão, Centro Social Paroquial de Freixo de Numão
Locais de interesse
Igreja Matriz Casa Grande, Pelourinho Sítio Arqueológico do Prazo, Museu de Arqueologia e Etnografia (na Casa Grande), Miradouro da Senhora da Carvalha, Fonte do Tanque do Sapo, Circuito Arq. do Aro de Freixo de Numão, Área do Castelo Velho (povoação do Calcolítico), Casa da Câmara, Casa da Justiça, Fonte da Bica, Fonte da Carvalha, Capela de S. Sebastião, Capela de Nª Srª da Carvalha, Capela de Nª Srª da Conceição, Capela de Santa Bárbara, Capela de Santo António
Economia
A principal actividade económica de Freixo de Numão é a agricultura, podendo ainda referir-se outras actividades tais como a construção civil, a panificação, o comércio e os serviços. A sua Adega Cooperativa tem tido um êxito muito grande com os seus vinhos engarrafados.
Gastronomia
É muito procurado o fumeiro de Freixo de Numão, pela sua qualidade. Têm também nomeada a "lampreia de ovos", e os produtos principais do seu agro, como a amêndoa, o azeite, o vinho fino e de mesa.
   

 

 
História

São muito antigos os vestígios da ocupação humana na área e termo da freguesia de Freixo de Numão. Investigações arqueológicas que se têm levado a efeito desde 1980, têm posto à luz do dia vestígios milenares. No Castelo Velho, (localizado na estrada de Santo Amaro, por cima das Ameixoeiras e Vale da Rata), escavações têm permitido um estudo aprofundado da ocupação, fauna e flora da região. Há cerca de cinco mil anos um grupo de pessoas ali construiu um castelo, com duas linhas de muralhas e uma torre central. Pode-se falar de um povoado fortificado do Calcolítico (Idade do Cobre), onde estariam alojadas cerca de 40 pessoas! Depois de um provável abandono, em data não determinada, volta a ser ocupado no 2º. milénio antes de Cristo, em plena Idade do Bronze. As cerâmicas decoradas com cordões e mamilos, características destes povos, são abundantes neste nível de ocupação. As casas seriam de madeira revestida com barro e cobertura de colmo, localizadas encostadas às muralhas, até para abrigo dos ventos fortes que ali se fazem sentir todo o ano.

 

A investigadora Professora Drª. Suzana Oliveira Jorge tem uma vasta equipa a trabalhar nos diversos domínios da investigação, prevendo-se a apresentação de conclusões bastante detalhadas sobre o lugar.

 

Do mesmo período serão as ocupações no Monte de Santa Eufêmia, que funcionaria como Atalaia no Calcolítico e no Bronze; os abrigos pré-históricos do Vale Ferreiro, o Alto dos Barreiros, (por cima da Capela de Nossa Senhora da Carvalha).

 

Desconhece-se, até ao momento, o início da ocupação na área que hoje constitui (1 núcleo urbano que se chama freguesia de Freixo de Numão. No entanto, possuímos já materiais e datações de carvões pelo método do Carbono 14 que apontam para uma grande ocupação durante a Idade do ferro (1º. milénio antes de Cristo).

 

Materiais do Ferro têm sido provenientes da zona da Casa Grande e da zona do Castelo. Outros estudos estão previstos dentro da área urbana de Freixo de Nurnão, com o fim de obter novas datações.

 

Os soldados de Roma devem ter chegado e facilmente dominado os povos autóctones. A freguesia de Freixo de Numão, em toda a denominada área antiga, que é delimitada pela Casa Grande e Devesa, Paçal, Carrascal, Castelo, Açougue, Lages e mesmo Cabo Lugar, possui vestígios de uma provável Civitas Romana, uma provável Fraxinum ignorada pelos investigadores, adormecida pelos ventos da história.

 

Escavações arqueológicas nas zonas da Casa Grande, Adro da Igreja, Largo de S. João, bem como o acompanhamento da rede de esgotos da freguesia, permitiram-nos delimitar a zona de interesse arqueológico.

 

A Igreja Matriz deve ter sido, entre os séculos I e V depois de Cristo, um templo Romano. Uma ara votiva, muita pedra de aparelho e um cipo funerário em mármore, recolhidos na própria Igreja ou área envolvente, certificam-nos tal.

 

São às dezenas os lugares com vestígios da ocupação Romana no termo da freguesia de Freixo de Numão, uns simples Casais (casas de campo) outros importantes villas onde a actividade agrícola e mineira sobressaem. Lagaretas e lagares já inventariados certificam-nos a importância do vinho nos primeiros séculos da nossa era, nesta região. Escavações arqueológicas no Zimbro II, Salgueiro (oficina de canteiro ligada a exploração do granito branco), Rumansil, Colodreira e Prazo, tem permitido reconstruir um pouco do Rural Romano nas terras quentes do Douro.

 

Desconhece-se qualquer vestígio de ocupação dos denominados povos bárbaros (Suevos, Visigodos, Árabes). Se não nos restam materiais, muito menos a toponímia e, dai, uma provável não dominação destas terras por esses povos.

 

No século XII, em plena Reconquista, Numão e o seu Castelo ganharam proeminência a daí a subjugação de uma grande área do actual concelho de Vila Nova de Foz Côa ao Senhor de Numão. No entanto, entre os séculos XIII a XIV vai Numão perdendo o domínio sobre algumas terras, o que veio a acontecer com Horta, Touça a Freixo de Numão (por vezes citada apenas como S. Pedro de Freixo). Estas terras vieram a ser autónomas, com jurisdição própria.

 

Primeiro o município de Numão renunciou, a favor da Coroa, o padroado da Igreja de S. Pedro de Fraxino. Este acto foi sancionado pelo bispo de Lamego, D. Vasco, em 5 de Janeiro de 1302.

 

Posteriormente, em 12 de Março de 1372, Freixo de Numão obtém a categoria de vila.

 

D. Fernando, na carta de outorgamento, declara que a rogo de Fernando Afonso de Zamora, Senhor de Valença, a quem doara o lugar, e «querendo fazer graça e mercê aos moradores e vizinhos de Freixo de Numão» houve por bem fazer «de vila que era termo da dita vila de Numão», com jurisdição própria, como qualquer vila ou castelo não sujeitos a outro lugar.

 

Dos acontecimentos ocorridos ao longo do século XVI, destacam-se a construção de uma capela dedicada ao Divino Espirito Santo, culto que supomos ser raro na região, e a anexação da Igreja à Universidade de Coimbra, através de uma Bula datada do 14 do Março de 1583. Assim, as rendas da Igreja freixiense e das suas anexas passaram a reverter para os cofres universitários.

 

Nos princípios do século XVI era já Freixo de Numão a terra mais populosa da região, para isso tendo contribuído, certamente, uma grande fixação de famílias judaicas vindas da Espanha recém-unificada pela acção dos Reis Católicos (Fernando e Isabel). Esse crescimento populacional veio permitir uma reanimação que apenas havia tido paralelo durante o período de ocupação romana (como demonstram os materiais exumados em escavações já realizadas).

 

Os detentores dos cargos públicos e políticos da época foram, aos poucos, trocando a agressividade do morro de Numão pelo planalto de Freixo de Numão. Pelo menos em 1601 tinha já esta localidade Tribunal (conforme o demonstra a inscrição que ainda ali se encontra), se bem que a transferência do Juiz de Fora de Numão para Freixo se venha a verificar apenas na segunda metade do século XVII.

 

Entre os Séculos XVII e XVIII encheu-se Freixo de belas casas apalaçadas, construíram-se Capelas, reconstruiu-se a Igreja e a Ermida de Nossa Senhora da Carvalha, a casa da Câmara (nova) e o Pelourinho, entre outras iniciativas como construção de fontes, caminhos e pontões.

 

Em 1836, pela reforma liberal, vê acrescentada a área do concelho com a extinção pura e simples dos concelhos de Cedovim, Sebadelhe e Touça. O concelho de Horta já havia sido anexado em 22 de Junho de 1682.

 

Ate 1853 é concelho com 11 freguesias. Por decreto de 31 de Dezembro desse ano, é extinto o concelho de Freixo de Numão e integrado, com todas as suas freguesias, no concelho do Vila Nova de Foz Côa .

 

...era o CANTO DO CISNE!

 

Foi decaindo e apenas estrebuchando com iniciativas dos Maçónicos e Republicanos locais, casos da Família Castro Mesquita e Meneses, e Família Vasconcelos. Durante o Estado Novo vê criarem-se alguns serviços como Posto Médico, Casa do Povo, Posto da Guarda Nacional Republicana, Delegação da Casa do Douro, Adega Cooperativa, construção do edifício da Escola Primária, cobertura do ribeiro da Devesa, ligação das águas da Carvalha, ligação com a estação de Freixo, energia eléctrica, entre outros benefícios.

 

Após o 25 de Abril novo sumo de progresso se fez sentir e a nível de melhorias de serviços a criação de outros.

 

A ACDR local tem desenvolvido uma acção importante do domínio da Defesa, Preservação e Divulgação do vasto e rico Património Arquitectónico e Arqueológico da Freguesia e mesmo da região.

 

Património

A freguesia de Freixo de Numão sofreu, nalgumas áreas da malha urbana, verdadeiros atentados ao património com a construção de edifícios sem qualquer traça, multicolores, alguns com azulejos (de casa de banho) no exterior! Uma das zonas mais bonitas, a Rua das Lages, foi autenticamente decepada dos seus valores tradicionais, apenas tendo resistido as «lajes, os rochedos e a bonita Capela Roqueira de Santa Bárbara»!

 

A Rua dos Malgos, Rua Direita e Largo da Praça ainda mantêm a traça original (na sua maioria), sendo possível estabelecer ali um plano de salvaguarda. Esse plano começou já a ser aplicado, há alguns anos, com apoio e incentivo da Junta de Freguesia, Associação local e proprietários.

 

E riquíssimo a valioso o seu PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO, havendo a salientar:

 

- 0 PELOURINHO - Monumento nacional construído em rijo granito, que assenta em três degraus de forma circular. Do meio do terceiro degrau, sobre uma base, lisa e circular, com leves ornatos, a majestosa coluna cilíndrica do pelourinho, em estilo jónico. É essa coluna encimada por um grande bloco onde se relevam, dum lado as armas nacionais - escudo de D. João V - e do outro as armas do concelho, representadas por uma estilizada mão estendida, debaixo de uma coroa imperial, entre um N e um E, que significa NEMÃO.

 

A ornamentar a coluna e a meio dela, vê-se esculpida uma árvore, símbolo do Freixo, com a inscrição (Freixo de Numão - 1793).

 

Numa outra parte da coluna (lado Oeste), um Freixo Seco, que simboliza a árvore de Freixo que ali se manteve, até secar, fazendo as vezes de Pelourinho!

 

- A CASA GRANDE, Palácio Barroco de meados do século XVIII, com uma Capela anexa (estilo rocócó) que data de 1783. Começou por pertencer aos Vasconcelos, Souzas e Moutinhos. No princípio do século XIX mudava para as mãos da família do Conde da Azenha, pela posse da mesma por parte de Bernardo Correia Leite de Morais Almada e Castro. Ao centro do edifício (fachada) uma varanda do balaustres de pedra, que e encimada por um imponente e desproporcionado Brasão. Escavações arqueológicas no seu quintal permitiu constatar que antes deste palácio outros ali existiram.

 

- A EX-DOMUZ MUNICIPALIS - Edifício Barroco da segunda metade do século XVIII, que até 1854 serviu de «Casa da Câmara». A fachada principal tem as armas nacionais - escudo de D. João V - e é de uma arquitectura muito sóbria. De salientar as bonitas varandas e janelas de avental.

 

-- A antiga CASA DA JUSTIÇA, localizada no início da Rua do Castelo, junto a Ex-Domuz Municipalis, com um bonito balcão em granito e uma inscrição que tem a data de 1601 e a inscrição «HIC VERITAS REPERIETVR».

 

- Casa de LAVRADOR ABASTADO, datada de finais do século XVII, localizada no Largo da Devesa, pertencente à Família dos Vasconcelos. E um belo exemplar de arquitectura da época, sobressaindo o imponente balcão avarandado!

 

- FONTES DA RICA e da CARVAI.LHA, ambas brasonadas e com as armas do D. João V. A Fonte da Bica tem arco de volta perfeita e possui abóbada em arco.

 

- O TANQUE DO SAPO, de data indeterminada, localizado na «via Romana» entre a Pedra Escrita e o Redoido. Construído em cantaria.

 

- JANELA MANUELINA, na Rua do Professor Lobão, em casa de cristão-novo.

 

- Edifício da ESCOLA PRIMÁR1A, imponente construção em granito da década de trinta deste século.

 

Do PATRIMÓNIO RELIGIOSO temos a salientar:

 

- A IGREJA MATRIZ, em tempos idos um templo pagão, depois Igreja Românica caída com o terramoto de 1755. Reconstruída e ampliada assim se manteve até hoje, com os bustos de S. Pedro, em pedra, no interior e exterior, a fazer lembrar à comunidade o seu Padroeiro e protector! No interior tem bonitos altares de talha barroca.

 

- A Capela de NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, mandada construir em 1654, em louvor da Imaculada Conceição da Virgem Puríssima Santa Maria, de estilo Renascença tardio.

 

- A Capela de SANTO ANTÓNIO, datada de 1622, onde foram posteriormente introduzidos elementos barrocos (nos pináculos e cruz).

 

- A Capela de SANTA BÁRBARA, roqueira, de data indeterminada (mas muito antiga).

 

- A Capela de NOSSA SENHORA DA CARVALHA, do século XVII, transformada em Ermida e Padroeira da freguesia.

 

- A Capela de S. SEBASTIÃO, do século XVIII, sem grande valor arquitectónico, e que sofreu amputação de valores quando da sua trasladação da Devesa para o local onde hoje se encontra (Lugar da Cruzinha).

 

Freixo de Numão viu restaurada a sua antiga categoria de Vila pela Lei nº 69/99, de 30 de Junho (no Diário da República, I série - A, nº 150, de 30-6-1999, pags. 4006 e 4007).

 

Bibliografia

António N. Sá Coixão, Por terras de Escorna Bois, Freixo de Numão: Cooperativa, 1994.

 

António N. Sá Coixão e António R. Trabulo, Por Terras do concelho de Foz Côa - Susídios para a sua História - Estudo e Inventário do seu Património, Vila Nova de Foz Côa, Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, 2ª edição - 1999.

 

João Albino Pinto Ferreira, Antigo concelho de Freixo de Numão, Lisboa: [s.n.], 1974.

 

João Albino Pinto Ferreira, A propriedade no antigo concelho de Freixo de Numão, Lisboa: Assoc. Lisbonense de proprietários, 1969.