Montes e Vales

A geografia do Concelho de Vila Nova de Foz Côa é rica porque é muito variada. Há quem a compare a um livro que se abre e que nos oferece, em cada página, em crescente surpresa, um novo motivo de interesse. Na verdade, os montes e os vales que constituem as suas lindíssimas paisagens proporcionam panoramas verdadeiramente indescritíveis.

 

 

Resulta esta interessante morfologia do facto de as terras fozcoenses se circunscreverem ou serem atravessadas por cursos de água que lhes emprestam belezas sem par. Se os contarmos, os seus canados atingem números altos; são várias as ribeiras que lhe serpenteiam as localidades, como a Ribeira Teja, a Ribeira dos Piscos ou a Ribeira de Aguiar, e enamoram-se das suas alturas arredondadas, o Massueime, o Côa e o Douro, qualquer deles entremeando o seu próprio espanto com os mais irresistíveis meios de sedução, que provêm dos seus encantos.

 

Foi a doçura do clima e tais belezas que retiveram por muito tempo, nestas paragens, os homens do Paleolítico Superior, que não desdenharam assinalar as suas vivências nas pedras xistosas das fecundas margens ribeirinhas, que hoje mostram o seu valor como Património Cultural da Humanidade.

Olivais

A oliveira ocupa também um importante lugar na vida do Concelho de Vila Nova de Foz Côa, tanto do ponto de vista económico, como paisagístico. Excepcionada a grande área ocupada por vinhedos, as terras fozcoenses povoam-se por esperançosos amendoais e por longos mantos verde-escuros de oliveiras, o que bem caracteriza como mediterrânico o micro-clima e a paisagem da região de Foz Côa.

 

 

O azeite deste Concelho é de primeira classe, sendo límpido na côr e quase sem acidez. Vêm muitos de longe, como que em peregrinação, em busca do azeite de Foz Côa.

Há no Concelho vários lagares e cooperativas dedicadas à laboração e à comercalização deste produto que se vende normalmente bem, apesar de ficar cada vez mais cara ao lavrador a respectiva produção.

Vinhas

 

As vinhas, com os socalcos, que se deixam apreciar nas curvaturas da paisagem, são bem o "ex libris" desta região alto-duriense. É aqui que o homem, pela sua mão, tem modificado a paisagem em termos verdadeiramente extaordinários. Com um terreno xistoso e habitualmente escalavrado, o homem desta região revolteia-o com a surriba, abre-lhe as valas e planta-lhe o bacelo onde depois enxerta a casta que é a matriz do néctar dos deuses libado de mil canseiras e fadigas.

 

 

Do princípio de Abril a finais de Outubro, os vinhedos das terras de Foz Côa encantam-nos com os seus matizes de cor, que vão do verde-verde aos castanhos dourados. Depois, podadas as videiras, passam elas ensimesmadas o Inverno, recomeçando o ciclo produtivo que caracteriza a região.

 

Com as amendoeiras e o prateado dos olivais, que muita vezes bordejam a vinha, a vinicultura é bem a principal cultura destas paragens. Outra coisa nem se poderia afirmar de um Concelho plenamente integrado na Região Demarcada do Douro, a "região demarcada" mais antiga do mundo.

 

Os vinhos mais famosos de Portugal, como o "Barca Velha", são produzidos em terras fozcoenses, o que diz muito da sua excelente qualidade. Diga-se ainda, a par de tal excelência, que a produção do Concelho, só de vinho generoso (ou fino), que depois é baptizado de "vinho do Porto", ultrapassa habitualmente as 22.000 pipas.

Amendoeiras

 

O Concelho de Vila Nova de Foz Côa reivindica muito justamente o título de "Capital da Amendoeira". Possui a maior densidade de amendoeiras em toda a sua área (106.000 árvores em 38.000 hectares). E, para além disso ou talvez por consequência disso, em todas as 14 freguesias que constituem o Município se pode admirar a extraordinária beleza das amendoeiras em flor.

 

 

O espectáculo da floração da amendoeira tem início normalmente na segunda semana de Fevereiro e prossegue até aos primeiros dias de Março, prenunciando a Primavera nas terras quentes do Alto-Douro. Nessa altura, toda esta região faz lembrar uma noiva que se vestisse de branco e rosa, tal a espantosa beleza que transfigurou estes montes e vales.

 

Com a Natureza em festa, todo o Concelho se movimenta na famosa Quinzena das Amendoeiras em Flor, sobretudo nos três fins de semana que a integram. Costuma ser muito movimentada a Feira Franca (no 1º Domingo de Março) e regista inusitada animação o Cortejo Alegórico, que inclui habitualmente cerca de 50 carros, percorrendo, sob a animação de fanfarras e bandas musicais, as principais artérias da cidade.

 

É em Vila Nova de Foz Côa, no Largo do Tablado e na Feira de S. Miguel (em 29 de Setembro), que funciona a "Bolsa da Amêndoa", onde se formam os preços (com ou sem casca) que vigoram em todo o País e chegam a influenciar os mercados mediterrânicos

 

Do ponto de vista económico, a cultura da amêndoa não está a compensar o lavrador do Alto-Douro, que sente a competição da produção industrializada da Califórnia, registada em meses diferentes. O desânimo do produtor acarreta, por sua vez, a diminuição do número de amendoeiras, cuja menor densidade se vai notando de ano para ano em toda a região.

 

 

Rio Douro



Douro, Doiro ou "de oiro", todos estes nomes merece este grande curso de água que nasce na Serra de Urbion, em Espanha, junto à cidade de Sória, perto das ruínas da famosa Numancia. Entra em Portugal por Miranda do Douro e depois enamora-se das margens que o saudam. É o Rio do "vinho fino", depois chamado "vinho do Porto", e o senhor das paisagens mais empolgantes do País. Aliás, "Doiro, rio e região, é talvez a coisa mais importante de Portugal" - segundo Miguel Torga. Tem o Rio Douro o comprimento de 927 Km., sendo dos rios de maior altitude com uma média de 700 m. sobre o nível do mar.

 

 

 

 Furioso na zona das arribas, chega sereno à Barca de Alva e quase dorme, cansado, na barragem do Pocinho, permitindo ali a prática de desportos náuticos. Perto da Valeira, sente saudades do Cachão e de D. Antónia Ferreirinha; mas quando chega à Régua, que se intitula o seu "coração" - e ainda o Porto está longe - já o Douro vem desfigurado e não passa de uma pálida sombra do que foi.

 

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