Freguesia de Sebadelhe

 
Elementos Demográficos  
População 298
Área 1780 Ha
   
Junta de Freguesia

Website da Junta de Freguesia

   
Orago S. Lourenço
Festas e romarias  
Nª Srª da Piedade 1º Domingo de Agosto
S. Lourenço 10 de Agosto
   
Colectividades Associação Desportiva e Cultural de Sebadelhe
Locais de interesse Capela do Mártir, S. Sebastião Fonte de Cima, Igreja Matriz Arquitectura rural, Pelourinho, Fonte de Baixo, Torre do relógio, Ponte Romana, Ribeira Teja, Lugar do Castelo, Solar dos Corte Real, Capela de Nª Srª da Piedade
Economia A agricultura é a actividade principal da economia local, na qual ocupam ainda lugar importante as actividades de construção civil, serralharia, comércio e serviços.
Gastronomia Bolos de amêndoa, entre outras iguarias em que são utilizadas as excelentes produções locais: a amêndoa, o azeite e o vinho fino (generoso ou do Porto).
   

 

 
História

No termo da freguesia de Sebadelhe não temos, por enquanto, referência de vestígios de relevo em relação a ocupações durante a Pré-História. Vários têm sido os historiadores a tentar referenciar, no lugar do Castelo, um provável Castro da Idade do Ferro. Disso estamos também convictos. São já importantes e vastos os vestígios dos primeiros séculos da nossa era (período da Romanização), encontrando-se esses mesmos vestígios (de restos de tégula, imbrices, dolium, pedra de aparelho, opus signinum...), nos lugares de REI NEMÃO (perto já da ribeira Teja - margem direita), QUINTA DAS VENDAS e SOUTINHO / VALE DE JUNCO (este bem perto do lugar do Castelo).

 

Segundo Pinto Ferreira, na sua obra «0 Antigo Concelho de Freixo de Numão», o terramoto de 1755 teria feito derruir velhas ruínas de uma torre, talvez restos de um Castelo Medieval. Ainda, segundo a tradição, o provável Castelo medieval de Sebadelhe teria sido reedificado sobre as ruínas de um castro, por ordem de D. Sancho I (Vid. «Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses», do General João d' Almeida).

 

Num documento do século X, que faz referência de uma doação da Condessa D. Flâmula a D. Mumadona, aparecem citados vários Castelos entre os quais o de «Sebatelli» que alguns historiadores têm feito recair sobre «Sebadelhe da Serra». Poderá, no entanto, ser o mesmo deste Sebadelhe (concelho de Vila Nova de Foz Côa).

 

Nos fins do século XIV era aldeia do concelho de Numão, tendo dois dos seus habitantes, Domingos Cão c João Peres participado na reunião que escolheu o procurador concelhio às cortes de Torres Novas (1350).

 

No século XVI contava 30 moradores, conforme apurou o recenseamento de 1527.

 

Existe nesta povoação um monumento em granito, constituído por uma coluna oitavada, rematada por um capitel quadrangular dentado, que assenta numa base de dois degraus. 0 degrau inferior é quadrangular e o segundo circular. Tem sido considerado um pelourinho. Ultimamente foi avançada a hipótese de que se trata de um cruzeiro mutilado, provavelmente quinhentista. 0 facto de até agora não ter sido divulgada documentação a atestar que Sebadelhe alguma vez tenha sido vila não deixa de dar força a essa ideia.

 

Ainda no século XVI foi a igreja de Sebadelhe anexada à Universidade de Coimbra. Como proprietária que era, cabia-lhe fazer obras de conservação, como de facto veio a acontecer no início do século XVII e no século XVIII. Em 1602 entrava água na sacristia, pelo que foi decidido entulhá-la de forma a ganhar altura, evitando assim a penetração das águas. No século seguinte arruinou-se o campanário, sendo de novo pedida a intervenção da Universidade.

 

À semelhança de outras povoações, são do século XVIII alguns dos principais edifícios religiosos e particulares. Encontram-se neste caso a capela de Nossa Senhora da Piedade, a Capela de S. Sebastião e a Casa da Família Donas Boto.

 

Nos alvores do século XIX dá-se a reconstrução da igreja matriz que o terramoto de 1755 tinha arruinado.

 

 

Património

A freguesia de Sebadelhe possui ainda um conjunto de habitações originais que remontarão aos inícios do século XVII. Muitas delas são tipicamente «Judaicas» e a atestar esse epíteto, decorações a mesmo epígrafes! Casas com balcões e varandins «típicos» são de preservar.

 

O Património Civil apesar de não numeroso não deixa de ser significativo, havendo a salientar:

 

- O PELOURINHO (?) - imóvel do interesse público (D.L. nº 23.122 do l 1/10/1933). A base e a coluna são poligonais; o capitel é quadrangular ornamentado nas quatro faces com motivos antropomórficos.

 

- Casa Brasonada da Família DONAS BOTO - do século XVIII. A casa, em si, não tem qualidade formal significativa. Há a salientar dois tectos de salas pintados e a fachada de cantaria da capela de Santo António, anexa, que apresenta características claramente Barrocas e um bonito «relógio de Sol»!

 

- FONTE DE BAIXO - que é de mergulho e abertura em arco de volta perfeita. Forma volume cúbico e integra um escudo coroado. Será do século XVII (?).

 

- FONTE DE CIMA - Fonte de mergulho com abertura em arco de volta perfeita, entaipada. Forma volume cúbico e possui coroamento piramidal, rematado com cruzem cuja base se observa o crânio de Adão.

 

D0 PATRIMÓNIO RELIGIOSO salientamos:

 

- A IGREJA MATRIZ - do final do século XVIII e terminada (a obra) em 1801. É de nave única; fachada barroca ritmada por pilastras e à qual está adossado o campanário e um chafariz; fenestração e portas laterais em arco com moldura decorada; cobertura interior em abóbada de berço do madeira; o altar-mór é de talha oitocentista.

 

- Capela do SANTO MÁRTIR ou S. SEBASTIÃO - do século XVIII, barroca. É de nave única. 0 pórtico é de características claramente barrocas, tal como o coroamento. O retábulo é em talha do estilo Joanino, muito deteriorado. Foi mandada edificar por Miguel Donas Boto.

 

- Capela de NOSSA SENHORA DA PIEDADE - de época indeterminada; nave única; pórtico em arco de volta perfeita; fachada precedida por alpendre, murado com portão enquadrado por pilastras; colunas de capitel simples como quase único elemento de sustentação.

 

Bibliografia

António N. Sá Coixão e António R. Trabulo, Por Terras do concelho de Foz Côa - Susídios para a sua História - Estudo e Inventário do seu Património, Vila Nova de Foz Côa, Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, 2ª edição - 1999.